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Infecção Urinária em Crianças Sintomas, Causas e Quando Procurar Médico

A infecção urinária em crianças acontece quando bactérias entram e se multiplicam em alguma parte do sistema urinário. A infecção pode atingir a uretra, a bexiga ou os rins.

Os sintomas variam bastante conforme a idade. Crianças maiores podem reclamar de ardência ao urinar, dor abdominal ou vontade frequente de ir ao banheiro. Bebês e crianças pequenas, por outro lado, podem apresentar apenas febre, irritabilidade, recusa alimentar ou vômitos.

Por isso, nem sempre é fácil reconhecer o problema em uma criança pequena. A avaliação pediátrica é importante principalmente quando há febre sem causa aparente, sintomas persistentes ou sinais de que a criança está mais abatida.

Este artigo explica:

  • quais são os sintomas de infecção urinária em crianças;
  • como o quadro pode aparecer em bebês;
  • quais são as causas mais comuns;
  • como é feito o diagnóstico;
  • quais exames podem ser solicitados;
  • como funciona o tratamento;
  • quando procurar atendimento médico.

Para entender o problema de forma geral, consulte também o nosso guia completo sobre infecção urinária.

Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um pediatra. Não ofereça antibióticos ou outros medicamentos à criança sem orientação profissional.

Quais são os sintomas de infecção urinária em crianças?

Os sintomas podem ser diferentes conforme a idade e a região do sistema urinário afetada.

 Em crianças que já conseguem explicar o que estão sentindo, os sinais mais comuns são: 

  • dor ou ardência ao urinar;
  • vontade de urinar várias vezes;
  • urgência para ir ao banheiro;
  • eliminação de pouca urina;
  • dor na parte inferior da barriga;
  • urina com odor diferente;
  • urina turva;
  • sangue na urina;
  • escapes de urina em uma criança que já não tinha esse problema;
  • dificuldade para controlar a vontade de urinar.

 A criança também pode ficar irritada, evitar ir ao banheiro ou demonstrar medo no momento de urinar.
 Para consultar uma lista mais ampla de sinais, veja o artigo sobre sintomas de infecção urinária.

Como a infecção urinária aparece em bebês?

Bebês não conseguem descrever dor ou ardência. Nessa fase, a infecção pode causar sinais gerais, como: 

  • febre;
  • irritabilidade;
  • sonolência incomum;
  • recusa para mamar;
  • redução do apetite;
  • vômitos;
  • diarreia;
  • dificuldade para ganhar peso;
  • choro sem causa evidente;
  • urina com odor diferente;
  • aparência abatida.

 Em alguns bebês, a febre pode ser o único sinal perceptível.
 A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que os sintomas variam de acordo com a idade. Em recém-nascidos, a criança pode parecer mais molinha, mamar menos ou apresentar sinais gerais de que não está bem.
 Bebês com febre, especialmente os mais novos, precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Infecção urinária em crianças pode causar febre?

Sim. A febre pode ocorrer, principalmente quando a infecção atinge partes superiores do sistema urinário ou quando a criança é muito pequena.

 Entretanto, febre em uma criança pode ter várias causas. Ela não confirma sozinha a existência de uma infecção urinária.

 A avaliação deve considerar: 

  • idade da criança;
  • duração da febre;
  • presença de sintomas urinários;
  • estado geral;
  • aceitação de líquidos;
  • ocorrência de vômitos;
  • dor abdominal ou nas costas;
  • resultados dos exames.

 Febre alta, persistente ou acompanhada de prostração, vômitos ou dor exige avaliação médica.
Responsável verificando a temperatura de uma criança durante a investigação de possíveis sinais de infecção.

Quais são as causas de infecção urinária em crianças?

Entrada de bactérias pela uretra

A maioria das infecções urinárias é causada por bactérias que entram pela uretra e chegam à bexiga.

 A Escherichia coli, bactéria presente normalmente no intestino, está entre os microrganismos mais associados às infecções urinárias.

Higiene inadequada

A higiene inadequada pode facilitar a entrada de bactérias na uretra. Em meninas, a orientação geralmente é limpar a região íntima da frente para trás, reduzindo o contato entre bactérias da região anal e a uretra.

 A higiene deve ser cuidadosa, mas sem excesso de produtos ou fricção. Sabonetes irritantes e duchas internas não são necessários. 

Segurar a urina

Algumas crianças evitam ir ao banheiro por estarem brincando, na escola ou por medo de utilizar um banheiro público.

 Segurar a urina por muito tempo pode contribuir para alterações no funcionamento da bexiga e dificultar uma rotina urinária adequada. 

Prisão de ventre

A constipação intestinal pode interferir no funcionamento da bexiga. O acúmulo de fezes pode aumentar a pressão na região e dificultar o esvaziamento adequado da urina. 

Crianças com infecções recorrentes devem ser avaliadas também quanto ao funcionamento intestinal. 

Alterações no esvaziamento da bexiga

Quando a criança não consegue esvaziar completamente a bexiga, pode haver retenção de urina e maior possibilidade de multiplicação de bactérias.

 Isso pode estar relacionado a:

  • hábitos de segurar a urina;
  • constipação;
  • alterações na coordenação da micção;
  • problemas neurológicos;
  • alterações anatômicas;
  • estreitamento das vias urinárias. 

Refluxo vesicoureteral

O refluxo vesicoureteral ocorre quando a urina retorna da bexiga em direção aos ureteres e, em alguns casos, aos rins.

 Essa alteração pode favorecer infecções repetidas e exigir acompanhamento pediátrico ou especializado.
Nem toda criança com infecção urinária apresenta refluxo. A necessidade de investigação depende da idade, da intensidade do quadro, da recorrência e dos resultados dos exames. 

Alterações no trato urinário

Algumas crianças podem nascer com alterações estruturais nos rins, ureteres, bexiga ou uretra.

 Essas alterações podem dificultar o fluxo normal da urina e aumentar o risco de infecções. Quando há infecções recorrentes, febre sem explicação ou alterações no exame, o pediatra pode solicitar uma investigação complementar. 

Uso de sonda urinária

Crianças que utilizam sonda ou passaram por procedimentos urinários podem apresentar maior risco de colonização ou infecção.

 Nesses casos, bactéria na urina não significa automaticamente que exista uma infecção que precise de antibiótico. É necessário analisar os sintomas, o estado geral e os exames. 

Infecção urinária em crianças é perigosa?

A infecção urinária pode ser tratada adequadamente na maioria dos casos, mas precisa de atenção.

 O risco depende de fatores como: 

  • idade da criança;
  • presença de febre;
  • envolvimento dos rins;
  • alterações anatômicas;
  • infecções recorrentes;
  • dificuldade para urinar;
  • desidratação;
  • estado geral;
  • demora para iniciar a avaliação.

 Quando não é reconhecida ou tratada corretamente, uma infecção pode atingir os rins. Em crianças pequenas, os sinais podem ser pouco específicos, o que torna a avaliação ainda mais importante.
 A NICE possui recomendações específicas para o diagnóstico e o tratamento de infecção urinária em bebês, crianças e adolescentes com menos de 16 anos. 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico combina os sintomas, o exame físico e a análise da urina.

 O pediatra pode perguntar: 

  • quando os sintomas começaram;
  • se houve febre;
  • se a criança sente dor para urinar;
  • se está urinando com mais frequência;
  • se houve vômitos ou diarreia;
  • se já teve infecção urinária antes;
  • se existe prisão de ventre;
  • se há alterações conhecidas no sistema urinário;
  • quais medicamentos foram utilizados. 

Exame de urina

O exame de urina pode avaliar a presença de: 

  • leucócitos;
  • nitritos;
  • sangue;
  • proteínas;
  • bactérias;
  • alterações no pH;
  • mudanças no aspecto da urina. 

O exame pode indicar inflamação ou levantar a suspeita de infecção, mas nem sempre identifica sozinho a bactéria causadora. 

Urocultura

A urocultura verifica se há crescimento de bactérias ou outros microrganismos na amostra.

 Quando o resultado é positivo, o laboratório pode identificar o microrganismo e realizar o antibiograma, que ajuda a avaliar a sensibilidade a determinados antibióticos.
 A coleta precisa ser feita com cuidado para evitar contaminação. Saiba mais no artigo sobre urocultura: para que serve e como é feita

Como a urina é coletada em crianças?

O método depende da idade e do controle urinário.

 Em crianças que já controlam a micção, o laboratório pode orientar a coleta do jato médio em frasco estéril.
 Em bebês e crianças que usam fraldas, podem ser necessários métodos específicos, definidos pela equipe de saúde. Sacos coletores podem apresentar maior risco de contaminação e nem sempre são adequados para confirmar uma infecção.
 Não tente improvisar a coleta em casa. Siga as instruções do laboratório ou do pediatra.

Profissional de saúde orientando responsável sobre a coleta de amostra de urina de uma criança.

Como é o tratamento?

O tratamento depende da idade, dos sintomas, da localização provável da infecção e dos resultados dos exames.

 

Antibióticos

Quando há infecção bacteriana confirmada ou uma forte suspeita clínica, o pediatra pode prescrever antibiótico.

 A escolha depende de fatores como: 

  • idade e peso da criança;
  • local provável da infecção;
  • alergias;
  • histórico de infecções;
  • resultado da urocultura;
  • antibiograma;
  • função dos rins;
  • resistência bacteriana local.

 A dose pediátrica não deve ser calculada por conta própria. 

Hidratação

Ofereça líquidos de acordo com a orientação do pediatra e com a aceitação da criança.

 A hidratação ajuda a evitar desidratação, mas não substitui o tratamento quando existe uma infecção bacteriana.
 Crianças com vômitos, recusa persistente de líquidos ou sinais de desidratação precisam de avaliação médica. 

Controle da febre e da dor

O pediatra pode orientar medidas para aliviar febre ou dor. A dose de qualquer medicamento deve respeitar a idade, o peso e as condições da criança.

 Não ofereça medicamentos de adultos, sobras de prescrições anteriores ou remédios indicados para outra criança. 

Tratamento das causas associadas

Quando existem constipação, refluxo, obstrução ou alterações no esvaziamento da bexiga, o tratamento também deve considerar esses fatores.

 Tratar somente os sintomas pode não evitar novos episódios se a causa associada continuar presente. 

A criança deve ser internada?

Nem toda infecção urinária exige internação.

 A hospitalização pode ser considerada quando há: 

  • criança muito pequena com febre;
  • estado geral comprometido;
  • vômitos que impedem a ingestão de líquidos ou medicamentos;
  • desidratação;
  • suspeita de infecção nos rins;
  • alteração importante nos exames;
  • doença ou malformação do sistema urinário;
  • dificuldade para acompanhar o tratamento em casa;
  • falta de resposta ao tratamento inicial. 

A decisão cabe à equipe médica após avaliar a criança. 

O que fazer em casa enquanto aguarda atendimento?

Enquanto aguarda avaliação: 

  • ofereça líquidos se a criança conseguir beber;
  • observe a temperatura;
  • anote os sintomas e os horários;
  • verifique se a criança está urinando;
  • informe ao médico se houve vômitos ou diarreia;
  • não dê antibióticos sem prescrição;
  • não use chás ou remédios caseiros como substitutos do atendimento;
  • leve exames anteriores, se houver.

 

Se a criança estiver muito sonolenta, confusa, desidratada ou com dificuldade para respirar, procure atendimento imediatamente.

 

Quando procurar o pediatra?

Marque uma avaliação quando a criança apresentar: 

  • ardência ao urinar;
  • dor abdominal;
  • vontade frequente de urinar;
  • escapes urinários novos;
  • urina com sangue;
  • urina turva ou com odor diferente;
  • febre sem causa clara;
  • infecções urinárias repetidas;
  • dificuldade para iniciar o jato;
  • dor persistente nas costas.

 Em bebês, a presença de febre, recusa alimentar, vômitos, sonolência ou mudança importante do comportamento já justifica procurar orientação médica. 

Quando procurar atendimento com urgência?

Procure atendimento imediato se houver: 

  • febre alta ou persistente;
  • criança muito abatida;
  • sonolência incomum;
  • dificuldade para acordar;
  • vômitos repetidos;
  • incapacidade de beber líquidos;
  • sinais de desidratação;
  • dor forte nas costas ou na lateral do corpo;
  • sangue visível na urina;
  • incapacidade de urinar;
  • piora rápida do estado geral;
  • convulsão;
  • bebê muito pequeno com febre, especialmente nos primeiros meses de vida.. 

Esses sinais podem indicar desidratação, infecção mais intensa ou necessidade de tratamento rápido. 

Como prevenir novas infecções?

Alguns hábitos podem ajudar a reduzir fatores de risco: 

  • incentivar a criança a urinar regularmente;
  • evitar que ela segure a urina por longos períodos;
  • tratar a constipação;
  • ensinar a higiene da frente para trás;
  • evitar produtos irritantes na região íntima;
  • estimular a ingestão adequada de líquidos;
  • orientar a criança a avisar quando sentir vontade de urinar;
  • seguir corretamente o tratamento prescrito;
  • retornar ao pediatra quando houver recomendação;
  • investigar episódios recorrentes.

 A prevenção deve ser individualizada. Nem toda criança precisa das mesmas medidas ou dos mesmos exames. 

Perguntas frequentes

Como saber se uma criança está com infecção urinária?

Os sintomas podem incluir dor ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro, dor abdominal, urina alterada e febre. Em bebês, podem aparecer apenas irritabilidade, recusa alimentar, vômitos ou febre. 

Febre sem outros sintomas pode ser infecção urinária?

Pode. Principalmente em bebês e crianças pequenas, a febre pode ser o único sinal. O pediatra pode solicitar exame de urina para investigar. 

Infecção urinária em criança precisa sempre de antibiótico?

A necessidade depende da avaliação clínica e dos exames. Não ofereça antibiótico por conta própria. 

Criança pode ter infecção urinária sem sentir dor?

Sim. Bebês e crianças pequenas podem não conseguir comunicar dor. Febre, irritabilidade, vômitos ou recusa alimentar podem ser os sinais principais. 

Prisão de ventre causa infecção urinária?

A constipação pode interferir no funcionamento da bexiga e favorecer retenção de urina. Por isso, deve ser investigada em crianças com infecções recorrentes. 

Como é feita a urocultura em crianças?

O método depende da idade e do controle urinário. Crianças maiores podem coletar o jato médio. Bebês precisam de um método orientado pela equipe de saúde para reduzir o risco de contaminação. 

Posso dar chá para tratar infecção urinária na criança?

Não use chá como substituto de avaliação e tratamento. Crianças podem ter reações a substâncias naturais, e alguns produtos não são adequados para todas as idades. 

Quando a infecção urinária pode atingir os rins?

O risco aumenta quando há febre, dor nas costas, vômitos, prostração ou alterações no sistema urinário. Esses sinais exigem avaliação médica. 

Infecção urinária pode voltar?

Sim. A recorrência pode estar relacionada a constipação, alterações anatômicas, refluxo urinário, dificuldade para esvaziar a bexiga ou reinfecção. 

A criança precisa consultar um urologista pediátrico?

Nem sempre. O pediatra pode iniciar a investigação e encaminhar para um especialista quando houver recorrência, alterações nos exames, suspeita de refluxo, obstrução ou malformação.

 

Conclusão

A infecção urinária em crianças pode causar sintomas urinários, febre, dor abdominal, vômitos ou mudanças no comportamento.

 Em bebês, o quadro pode ser difícil de reconhecer porque a criança não consegue explicar o que sente. Febre sem causa evidente, recusa alimentar, irritabilidade ou sonolência incomum merecem atenção.
 O diagnóstico pode envolver exame de urina e urocultura. O tratamento depende da avaliação do pediatra e pode incluir antibiótico quando houver indicação.
 Não ofereça medicamentos por conta própria. Procure atendimento rapidamente diante de febre persistente, vômitos, desidratação, dor nas costas, dificuldade para urinar ou piora do estado geral.
 

Aviso médico: este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento individualizado. Em caso de dúvida sobre uma criança doente, procure um pediatra ou serviço de atendimento.

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