A infecção urinária em idosos pode atingir a bexiga, a uretra, os rins ou outras partes do sistema urinário. Embora os sintomas clássicos sejam ardência ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro e dor na parte inferior do abdômen, pessoas idosas nem sempre apresentam o quadro de forma tão evidente.
Em alguns casos, a infecção pode vir acompanhada de febre, fraqueza, perda de apetite, vômitos ou alteração importante do estado geral. Também podem ocorrer mudanças no comportamento ou na atenção, mas esses sinais não confirmam sozinhos uma infecção urinária.
A presença de bactérias na urina sem sintomas também é relativamente comum em pessoas mais velhas e não significa automaticamente que exista uma infecção que precise de antibiótico.
Por isso, o diagnóstico deve considerar:
- sintomas;
- exame físico;
- estado geral;
- exame de urina;
- urocultura, quando indicada;
- doenças preexistentes;
- uso de sonda;
- funcionamento dos rins;
- alterações na próstata ou na bexiga.
Para compreender o problema de forma ampla, consulte o nosso guia completo sobre infecção urinária.
Aviso importante: este artigo é informativo e não substitui avaliação médica. Em idosos, sintomas novos ou piora do estado geral devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Quais são os sintomas de infecção urinária em idosos?
Os sintomas variam conforme a localização da infecção e as condições de saúde da pessoa.
Os sinais urinários mais comuns incluem:- ardência ou dor ao urinar;
- vontade de urinar várias vezes;
- urgência para ir ao banheiro;
- eliminação de pouca urina;
- dor ou pressão na parte inferior do abdômen;
- sensação de bexiga cheia;
- dificuldade para iniciar o jato;
- jato urinário fraco;
- urina turva;
- mudança no odor da urina;
- sangue na urina;
- aumento recente de escapes urinários.
Sintomas gerais que podem acompanhar a infecção
Em idosos, uma infecção pode causar sintomas que não estão diretamente relacionados à micção, como:
- febre;
- calafrios;
- fraqueza;
- cansaço intenso;
- perda de apetite;
- náuseas;
- vômitos;
- dor nas costas ou na lateral do corpo;
- piora da mobilidade;
- sonolência incomum;
- queda do estado geral.
Infecção urinária em idosos pode causar confusão mental?
Uma mudança súbita no estado mental pode ocorrer durante diferentes problemas de saúde, incluindo infecções, desidratação, alterações metabólicas, efeitos de medicamentos, dor, constipação ou falta de oxigenação.
Em alguns idosos, pode aparecer um quadro de delirium, caracterizado por uma alteração aguda da atenção, da consciência e da orientação. A pessoa pode ficar mais sonolenta, agitada, desorientada ou apresentar comportamento diferente do habitual. Entretanto, confusão mental isolada não confirma uma infecção urinária.Antes de iniciar um antibiótico, o profissional deve avaliar outras possíveis causas e verificar se existem sintomas ou sinais compatíveis com infecção. O tratamento desnecessário pode provocar efeitos adversos e contribuir para a resistência bacteriana.
Se a confusão surgir de forma repentina, principalmente acompanhada de febre, fraqueza intensa, queda, dificuldade para respirar ou alteração da consciência, procure atendimento médico imediatamente.
Quais são as causas de infecção urinária em idosos?
Entrada de bactérias no trato urinário
A maioria das infecções urinárias ocorre quando bactérias entram pela uretra e alcançam a bexiga ou outras partes do sistema urinário.
A Escherichia coli, bactéria normalmente encontrada no intestino, está entre os microrganismos mais frequentes. Outros microrganismos podem estar envolvidos, especialmente em pessoas hospitalizadas, com sondas ou com alterações no sistema urinário.
Para entender melhor os fatores que favorecem a infecção, consulte o artigo sobre o que causa infecção urinária.
Aumento da próstata
Em homens idosos, o aumento benigno da próstata pode comprimir a uretra e dificultar a saída da urina.
Isso pode causar:
- jato urinário fraco;
- demora para começar a urinar;
- necessidade de fazer força;
- gotejamento;
- vontade de urinar várias vezes à noite;
- sensação de esvaziamento incompleto.
Quando a bexiga não é esvaziada adequadamente, pode haver retenção de urina e maior facilidade para a multiplicação de bactérias.
Esvaziamento incompleto da bexiga
A dificuldade para eliminar toda a urina pode estar relacionada a:
- aumento da próstata;
- estreitamento da uretra;
- alterações neurológicas;
- diabetes;
- doenças que afetam a mobilidade;
- alguns medicamentos;
- alterações na contração da bexiga;
- histórico de cirurgia ou procedimento urológico.
A recorrência da infecção pode persistir enquanto a causa do esvaziamento incompleto não for investigada.
Uso de sonda urinária
Sondas urinárias podem ser necessárias em determinadas situações, mas aumentam o risco de colonização por bactérias e de infecção associada ao dispositivo.
A presença de bactérias na urina de uma pessoa sondada não significa necessariamente que haja uma infecção que precise de tratamento. O profissional deve avaliar:
- presença de sintomas;
- febre;
- dor;
- alterações no estado geral;
- funcionamento da sonda;
- resultados dos exames.
Não se deve retirar, trocar ou manipular a sonda sem orientação da equipe responsável.
Incontinência urinária
A incontinência pode dificultar a higiene, aumentar o contato da pele com a urina e favorecer irritações. Entretanto, ela não significa automaticamente que exista uma infecção urinária.
É importante diferenciar:
- incontinência que já existia;
- piora súbita dos escapes;
- ardência;
- febre;
- dor;
- alteração do estado geral.
Uma mudança recente deve ser comunicada ao profissional de saúde.
Desidratação
A baixa ingestão de líquidos pode concentrar a urina e contribuir para desconforto urinário. Em alguns idosos, a desidratação também provoca fraqueza, tontura, sonolência ou confusão.
A quantidade adequada de líquidos varia de acordo com a saúde da pessoa. Idosos com insuficiência cardíaca, doença renal ou outras condições podem precisar de restrição ou orientação individualizada.
Não force grandes volumes de água sem orientação médica.
Constipação intestinal
A prisão de ventre pode aumentar a pressão sobre a bexiga e interferir no esvaziamento urinário.
A constipação também pode causar desconforto abdominal, perda de apetite e alterações no comportamento, sintomas que podem ser confundidos com infecção.
Em casos recorrentes, o funcionamento intestinal deve fazer parte da avaliação.
Cálculos e obstruções
Pedras nos rins, ureteres ou bexiga podem bloquear o fluxo da urina, causar sangue na urina e favorecer infecções.
A combinação de obstrução, febre e dor forte exige avaliação rápida, pois pode precisar de tratamento específico.
Diabetes e outras doenças
Diabetes, doença renal, alterações neurológicas e condições que reduzem a imunidade podem aumentar o risco de infecção ou dificultar a recuperação.
O risco também pode ser maior quando a pessoa:
- foi internada recentemente;
- passou por procedimento urinário;
- utiliza vários medicamentos;
- tem histórico de infecções recorrentes;
- apresenta dificuldade de mobilidade;
- depende de cuidador para beber líquidos ou ir ao banheiro.
Bactéria na urina significa infecção?
Não necessariamente.
A presença de bactérias na urina sem sintomas pode ser chamada de bacteriúria assintomática. Em determinadas pessoas, essa condição não deve ser tratada com antibióticos, salvo situações específicas avaliadas pelo médico.
O tratamento baseado somente no resultado do exame pode causar:
- efeitos colaterais;
- alergias;
- diarreia;
- interação com outros medicamentos;
- seleção de bactérias resistentes;
- atraso no diagnóstico de outra doença.
O resultado deve ser interpretado junto com a história clínica e o exame físico.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico pode envolver:
- conversa com o paciente e o cuidador;
- avaliação dos sintomas;
- exame físico;
- medição da temperatura;
- análise do estado de hidratação;
- exame de urina;
- urocultura;
- avaliação da função renal;
- exames de imagem, quando indicados.
O médico também pode investigar se existe:
- retenção urinária;
- aumento da próstata;
- uso de sonda;
- cálculo;
- constipação;
- alteração neurológica;
- infecção anterior recente;
- uso de antibiótico.
Exame de urina
O exame de urina pode avaliar a presença de leucócitos, nitritos, sangue, proteínas, bactérias e outras alterações.
Ele pode apoiar a suspeita de infecção, mas não deve ser interpretado isoladamente.
Um resultado alterado pode ocorrer por contaminação, desidratação, uso de medicamentos ou outras condições.
Urocultura
A urocultura verifica se há crescimento de microrganismos na amostra e pode identificar a bactéria responsável.
Quando acompanhada de antibiograma, pode ajudar o profissional a escolher um antibiótico ao qual o microrganismo seja sensível.
A coleta precisa ser feita corretamente. Veja o artigo sobre urocultura: para que serve e como é feita.
Coleta de urina em idosos
A coleta depende da capacidade de locomoção, do controle urinário e do uso de sonda.
Quando possível, a equipe pode orientar a coleta de jato médio em recipiente estéril. Em pessoas que usam fraldas ou não conseguem urinar voluntariamente, o método deve ser definido pelo profissional ou laboratório.
Não esprema fraldas para coletar urina e não utilize recipientes domésticos, pois isso pode contaminar a amostra.
Como é feito o tratamento?
O tratamento depende da presença de sintomas, da localização da infecção, do estado geral e dos resultados dos exames.
O profissional pode considerar:- idade;
- função renal;
- alergias;
- medicamentos em uso;
- histórico de resistência bacteriana;
- uso de sonda;
- doenças associadas;
- suspeita de infecção nos rins;
- dificuldade para engolir ou absorver medicamentos;
- necessidade de internação.
Antibióticos
Quando existe infecção bacteriana sintomática e o antibiótico é indicado, o profissional escolherá o medicamento de acordo com o quadro clínico e, quando disponível, com o resultado da urocultura e do antibiograma.
A dose e a duração podem precisar de ajustes em idosos, especialmente quando há alteração da função dos rins.
Não use:- sobras de antibióticos;
- medicamentos de outra pessoa;
- receitas antigas;
- antibióticos sem avaliação;
- doses diferentes das prescritas.
Também não interrompa o tratamento porque os sintomas melhoraram. Se houver efeitos colaterais ou piora, entre em contato com o profissional que prescreveu o medicamento.
Ajuste de medicamentos
Idosos frequentemente utilizam vários medicamentos. Por isso, o médico deve avaliar possíveis interações entre o antibiótico e outros remédios.
Informe todos os medicamentos utilizados, incluindo:
- remédios de uso contínuo;
- suplementos;
- produtos naturais;
- medicamentos sem receita;
- anticoagulantes;
- remédios para diabetes;
- medicamentos para pressão;
- sedativos.
Hidratação
A hidratação pode ajudar a evitar desidratação, mas não substitui o tratamento da infecção.
A ingestão de líquidos deve considerar a orientação médica, principalmente em pessoas com:
- insuficiência cardíaca;
- doença renal;
- inchaço;
- restrição de líquidos;
- dificuldade para engolir;
- risco de aspiração.
Tratamento de causas associadas
Se a infecção estiver relacionada a próstata aumentada, cálculo, retenção urinária ou uso de sonda, o tratamento também deve abordar esses fatores.
Quando a causa permanece, a pessoa pode apresentar novos episódios mesmo após usar o antibiótico corretamente
Infecção urinária em idosos precisa de internação?
Não necessariamente.
Muitos casos podem ser tratados em casa com acompanhamento, desde que a pessoa esteja estável e consiga:
- beber líquidos;
- tomar o medicamento prescrito;
- urinar;
- manter o estado geral;
- contar com acompanhamento adequado.
A internação pode ser considerada quando há:
- pressão arterial baixa;
- confusão ou alteração importante da consciência;
- febre persistente;
- calafrios intensos;
- vômitos repetidos;
- desidratação;
- dor forte;
- suspeita de infecção nos rins;
- obstrução urinária;
- incapacidade de urinar;
- piora rápida;
- suspeita de sepse;
- impossibilidade de tomar o tratamento por via oral.
A decisão deve ser feita pela equipe médica.
Quando procurar atendimento médico?
Procure avaliação médica quando o idoso apresentar:
- ardência ao urinar;
- dor na parte inferior do abdômen;
- vontade frequente de urinar;
- piora repentina da incontinência;
- sangue na urina;
- febre;
- calafrios;
- dor nas costas;
- fraqueza intensa;
- vômitos;
- recusa de líquidos;
- sonolência fora do habitual;
- mudança súbita de comportamento;
- dificuldade para urinar;
- sintomas que não melhoram.
Em pessoas frágeis ou com várias doenças, é melhor buscar orientação mais cedo.
Quando procurar atendimento com urgência?
Procure um serviço de urgência se houver:
- confusão mental súbita;
- dificuldade para acordar;
- desmaio;
- falta de ar;
- pele fria ou muito pálida;
- febre alta ou temperatura muito baixa;
- pressão baixa;
- batimento cardíaco muito acelerado;
- vômitos persistentes;
- incapacidade de beber líquidos;
- dor forte nas costas ou na lateral do corpo;
- incapacidade de urinar;
- sangue em grande quantidade na urina;
- piora rápida do estado geral.
Esses sinais podem indicar uma condição grave e não devem ser tratados somente em casa.
Como reduzir o risco de novas infecções?
Alguns cuidados podem ajudar:
- incentivar a ingestão adequada de líquidos, conforme orientação médica;
- evitar que a pessoa segure a urina por períodos prolongados;
- tratar a constipação;
- manter higiene adequada;
- trocar fraldas ou roupas íntimas quando necessário;
- observar alterações recentes no padrão urinário;
- acompanhar sintomas em pessoas com demência;
- revisar medicamentos com o médico;
- investigar dificuldade para esvaziar a bexiga;
- tratar alterações da próstata quando indicadas;
- seguir corretamente as orientações para o uso de sondas;
- evitar antibióticos sem prescrição.
Para informações adicionais, consulte o artigo sobre infecção urinária de repetição, prevenção e cuidados.
Infecção urinária em idosos pode voltar?
Sim. A recorrência pode estar relacionada a:
- esvaziamento incompleto da bexiga;
- aumento da próstata;
- cálculos;
- uso de sonda;
- constipação;
- alterações anatômicas;
- diabetes;
- resistência bacteriana;
- tratamento inadequado;
- diagnóstico diferente de infecção urinária;
- nova infecção por outro microrganismo.
Quando os episódios se repetem, o ideal é investigar a causa em vez de simplesmente repetir o mesmo antibiótico.
O artigo sobre prevenção da infecção urinária de repetição apresenta medidas gerais que podem ser discutidas com o profissional de saúde.
Perguntas frequentes
Qual é o primeiro sintoma de infecção urinária em idosos?
Pode ser ardência ao urinar, aumento da frequência, urgência, dor abdominal ou mudança recente no padrão urinário. Em alguns casos, o idoso apresenta principalmente febre, fraqueza ou piora do estado geral.
Todo idoso com confusão mental está com infecção urinária?
Não. A confusão pode ter várias causas. É necessário procurar atendimento para investigar infecção, desidratação, efeitos de medicamentos, alterações metabólicas e outras condições.
Bactéria na urina do idoso precisa sempre de antibiótico?
Não. Bactéria na urina sem sintomas não significa automaticamente uma infecção que precise de tratamento. A decisão deve ser feita por um profissional.
Infecção urinária em idosos pode causar febre?
Sim. A febre pode aparecer, principalmente quando há infecção mais intensa ou comprometimento dos rins. Mas a ausência de febre não exclui o problema.
A infecção urinária pode afetar os rins?
Sim. Uma infecção pode atingir os rins e provocar febre, calafrios, dor nas costas, náuseas e vômitos. Esses sinais exigem avaliação rápida.
Idoso pode tomar antibiótico por conta própria?
Não. O medicamento pode ser inadequado, interagir com outros remédios ou precisar de ajuste por causa da função renal.
Água ajuda a tratar a infecção urinária?
A hidratação pode ajudar a prevenir desidratação, mas não substitui o tratamento indicado. Pessoas com restrição de líquidos devem seguir a orientação médica.
Como é feita a coleta de urina em idosos acamados?
O método depende da condição da pessoa. A equipe de saúde deve orientar a coleta adequada. Não se deve retirar urina de fralda ou utilizar recipientes não estéreis.
O uso de sonda aumenta o risco?
Sim. A sonda pode aumentar o risco de colonização bacteriana e infecção. Porém, a presença de bactéria sem sintomas não indica automaticamente a necessidade de antibiótico.
Quando levar o idoso ao pronto atendimento?
Procure atendimento urgente em caso de confusão súbita, sonolência intensa, febre, calafrios, vômitos, dor forte nas costas, dificuldade para urinar, falta de ar ou piora rápida do estado geral.
Conclusão
A infecção urinária em idosos pode apresentar sintomas clássicos, como ardência, urgência e aumento da frequência urinária, mas também pode causar febre, fraqueza, perda de apetite e alteração do estado geral.
Mudanças repentinas na atenção ou no comportamento merecem investigação, mas não confirmam sozinhas uma infecção urinária. O diagnóstico deve considerar os sintomas, o exame físico e, quando indicado, o exame de urina e a urocultura.
O tratamento pode incluir antibiótico quando houver indicação, sempre considerando a função renal, as doenças associadas e os medicamentos em uso.
Não trate apenas o resultado de um exame e não ofereça antibióticos por conta própria. Em caso de confusão súbita, febre, dor nas costas, vômitos, dificuldade para urinar ou piora rápida, procure atendimento médico.Aviso médico: este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento. Para idosos com sintomas novos ou alteração importante do estado geral, procure avaliação profissional.